terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ribeirão Grande de Botucatu-SP

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Capítulos diversos, relativos à presença de uma vida econômica ativa em Ribeirão Grande hámais de cem anos, poderiam ser reunidos e traduzidos numa história sem fim.
Sua ocupação foi pioneira no povoamento do sertão paulista no final do século XVII, quando foram doadas as primeiras sesmarias. Muito antes disso, os campos compreendidos entre os rios Sto. Ignácio, Paranapanema e os morros da Serra de Botucatu, foram procurados, por serem bons para pastagens. Descobertos por criadores de Sorocaba recebera o nome de campos do Paiol.
No início do século XVIII, os campos do Paiol passaram ao controle dos Jesuítas do Colégio de São Paulo, que constituíram ali duas grandes fazendas de criar gado, estrategicamente postadas à beira dos caminhos que conduziam às minas de ouro no Mato Grosso.
Mais antigo ainda que os caminhos que se abriram para o sertão brasileiro, os campos do Paiol já eram atravessados por outro caminho, por onde sertanistas, padres e indígenas se dirigiam do litoral paulista para o interior do continente, buscando, principalmente, as treze missões guaranis, montadas pelos jesuítas espanhóis, à beira do Rio Paranapanema.
Esse caminho era o Peabiru e ia mais longe, ia a Assumpcion depois a Cuzco, cidadelas dos povos pré-colombianos.
Esses antigos viajantes, ao se defrontarem com os morros de Botucatu, tinham duas opções: ou embarcavam em canoas pelo Rio Paranapanema, nos fundos, mais ao sul dos Campos do Paiol e dali ganhavam as terras Carijós (Guaranis) ou, então, subiam as elevações desde Botucatu e buscavam alcançar o Paranan Itu (Rio Paraná).
Quando os jesuítas construíram um mínimo de instalações para seu abrigo, e de seu gado, as fazendas jesuítas passaram as ser uma referência a mais para os viajantes, de maneira que as caravanas paravam ali, para que seus componentes refizessem as energias e seguissem viagem.
Ao fundo, á beira do Paranapanema, um rudimentar porto para as canoas que iam e vinham. Nas instalações, uma espécie de estalagem.
Por outro caminho, utilizado principalmente na volta, os sertanistas deixavam suas canoas nas imediações da grande cachoeira do Rio - Paranapanema e seguiam por um caminho seco, por dentro de imensas florestas e campos, até os morros de Botucatu e dali desciam a Serra buscando descansar nas Fazendas Jesuítas do Paiol. E faziam o mesmo caminho, na volta.
Pois foi bem aí que Ribeirão Grande surgiu como povoado: justamente no cruzamento mais agitado do interior paulista nos séculos XVII e XVIII.
Tido pelos historiadores como o mais antigo povoado de que se tem notícia por estas paragens, Ribeirão Grande sempre despertou curiosidade e interesse.
Criado pela Lei Estadual No. 65 de 27 de março de 1889, tendo em seguida sido criado e instalado o Cartório de registro civil aos 12 de junho de 1891, ali permanecendo efetivando seus registros cartoriais até 1912, quando foi desativado, pelo declínio do Patrimônio seus livros e registros passaram sob a guarda do Cartório. O então distrito de Ribeirão Grande foi do Espírito Santo do Rio Pardo (Pardinho).
Ribeirão Grande chegou efetivamente a ser uma das grandes cidades da região de Botucatu na passagem do século passado.
O primeiro registro de nascimento na então Ribeirão Grande ocorreu em 28 de fevereiro de 1893, de um menino, que figura apenas com nome de Benedito, filho de José Maria da Luz. O primeiro "Edital de Habilitação" - termo para casamento usado na época - foi de Gabriel Higino de Carvalho e Delfina Cassemira de Carvalho, ocorrido em 6 de agosto de 1891. Outro livro refere-se a procurações e escrituras, onde a primeira transação foi lavrada para a venda de uma gleba de terra, no valor de seis mil reis, entre Eloy de Melo César e Francisco Fiúza de Andrade, localizada na fazenda Limoeiro, na Vila do Rio Bonito (Bofete) circunscrita (na época) à comarca de Tatuí. No livro No. 01 consta o primeiro óbito verificado na localidade, de Luiz Francisco das Chagas, em 30 de maio de 1893. Todos os dados que existem, em livros que não caracterizam seu real passado, narram fatos ocorridos após o ano de 1891. Esses únicos documentos estão arquivados no Cartório de Paz e Anexos de Pardinho, embora Ribeirão Grande na condição de distrito pertencesse na época à comarca de Botucatu. Chegou em 1910 a possuir uma populaçãoo de aproximadamente três mil habitantes. Todavia, verifica-se que Ribeirão Grande era mais antiga que isso, como comprova a escritura lavrada no primeiro oficio da Comarca de Botucatu, onde fora feita aos 23 de dezembro de 1868, uma doação de vinte e cinco alqueires e meio de terras por oito casais, para a formação do patrimônio do Santo, em Ribeirão Grande.
É sabido, também, que, antes disso, Ribeirão Grande disputara com Botucatu o privilégio de ser elevada à Freguesia, perdendo para a povoação de Cima da Serra, por razões políticas.
Alguns antigos moradores da região onde foi Ribeirão Grande, afirmam com superstição o que três causas provocaram o desaparecimento da cidade.
A primeira - afirma um deles - foi a praga de um padre, após violento espancamento que sofreu durante uma festa. Esse sacerdote, ao ver-se humilhado pelos agressores, disse em altos brados que um dia a cidade desapareceria e seus moradores seriam varridos.
Outra versão é a de que a rivalidade política entre as duas cidades contribuiu fatalmente para o fim de Ribeirão Grande, tendo sua população se transferido para Pardinho e cidades vizinhas. A última justificativa para o desaparecimento da localidade foi a gripe espanhola ou febre amarela que grassou no mundo inteiro, dizimando muitas cidades, e que um dia chegou ao Ribeirão Grande.
Superstição ou não, o que realmente se sabe, é que, com o advento da Lei Áurea, imigrantes Italianos, em bom momento aportaram no Brasil, vindos do velho continente renovar as forças braçais dos fazendeiros de antanho, que ficaram totalmente sem os serviços braçais de seus escravos na agricultura, principalmente na qualidade e na produção do maior filão de "ouro preto", da história, transformando esta nação, por muitas décadas no maior produtor de café do mundo e, também por consequência, na maior fonte de divisas do País. Daí a concluir-se, que os imigrantes italianos, agricultores por excelência que sempre foram em seu país, como os que aqui aportaram em sua maioria, também trouxeram em suas bagagens para nossa região, grandes conhecimentos na produção agrícola, aplicando-os com muita fé e dedicação no seu "lavoro", "y dopo", extraindo seus sustentos e suas riquezas da prometida "Terra Nostra".
Os ribeirãograndenses, vendo os italianos a crescerem economicamente com suas lavouras, principalmente na plantação e produção do café, nas regiões em que estes se situavam, logo passaram, também, a transferirem-se para regiões de fazendas e sítios de terras mais férteis na produção do café, diminuindo, assim, aquele que era um pequeno povoado com aproximadamente três mil habitantes por volta de 1912.
Solos mais férteis e clima mais ameno, adequado à produção do melhor café de nossa região, sempre foram nos altos e fraudas da serra de Botucatu, em toda sua extensão, escondendo na época mais fria do inverno dos perigos das geadas, cuidados observados pelos produtores que entre outros, gerou um dos melhores, se não, o melhor café produzido nesta região do Estado, o café Bourbon amarelo variedade Botucatu.
Ribeirão Grande, mesmo em dias comuns, era muito movimentada. Mas a agitação crescia por causa dos visitantes, quando a todo seis de agosto se homenageava a São Bom Jesus, padroeiro da cidade. Moradores de toda a região na semana que antecedia a festa instalavam tendas para dormir, barracas, gado leiteiro para seu consumo. Sua igreja era muito frequentada, nos dias de festa os moradores enfeitavam as ruas para receber os fiéis das cidades vizinhas. Imagens e castiçais, de alto valor, enriqueciam o templo. Bem ornamentado também era o cemitério, a alguns metros da igreja, com t�mulos sofisticados, cujas plaquetas numeradas a identificar a pessoa falecida, brilhavam a dist�ncia, tal era o polimento. Por esses insignificantes pormenores, ou pela cren�a de seu povo, Ribeir�o Grande era o centro para o qual convergiam as aten��es dos habitantes da regi�o de Botucatu.
Quase nada mais se v� daquilo que foi um bom inicio de cidade. Os que estavam acostumados �s festas no local e n�o sabem que a Vila desapareceu, voltam frustrados de suas visitas sem qualquer explica��o. A igreja que l� existia, guardava em seu interior imagens, de valor inestim�veis, casti�ais rar�ssimos trazidos da It�lia por seus filhos mais abastados, que aportaram em grandes contingentes, em diversas oportunidades em nossa p�tria, logo ap�s a aboli��o dos escravos, trazendo ainda, consigo, ornamenta��es de custos elevados para a �poca, principalmente, quando, mais recentemente ainda, perderam em 1973 (em nome do progresso) sua Igreja, com o consentimento do Sr. Arcebispo da �poca para dar lugar � linha de energia de alta tens�o da CESP.
No decorrer do tempo, foram demolidas as resid�ncias, as vendas (casas comerciais), a escola, a casa da cadeia e os t�mulos do cemit�rio, onde foram sepultadas mais de quatrocentas pessoas.
O ex-distrito de Ribeir�o Grande vem, desde ent�o, sendo comandado pelo munic�pio de Pardinho no quase nada que lhe restou. E como um invocar do passado, sempre no dia seis de agosto de todos os anos, o povo da regi�o, ainda clama para as autoridades espirituais e pol�ticas temporais locais, no sentido de reconstruir a Igreja do Bom Jesus, para orar e fazer suas preces por seus entes queridos l� sepultados e cultivar as boas lembran�as do local.(Queremos aqui agradecer o escritor Botucatuense Dr. Hern�ni Donato, pela historia do Bom Jesus do Ribeir�o Grande contada em seu livro, que nos ajudou bastante na elabora��o deste site)
A �rea remanescente de dois alqueires do patrim�nio do Ribeir�o Grande, desde 1868, est� localizada na altura do Km. 198 da Rodovia Castelo Branco, as margens do trevo que serve os Postos Rodoserv e Maristela, incrustado no Empreendimento Ninho Verde.

Desejando manifestar seu apoio financeiro, por gentileza, contatar a Comissão pelo telefone:
(0XX14) 3882-2849
ou pelo E-mail: bomjesusdoribeiraogrande@gmail.com
Localizada no Município de Pardinho, Arquidiocese de Botucatu - SP
Botucatu, agosto de 1999
Comissão Pré-Construção da Igreja do Bom Jesus do Ribeirão Grande
Rua Prudente de Moraes, no. 658
Cep. 18.602-060 - B o t u c a t u - SP.
Responséveis: José Simião de Oliveira e Padre Oreste Gomes Filho

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2 comentários:

barão de cocais:JOSE FELICIANO PINTO COELHO CUNHA disse...

Óbitos Ocorridos no período de 1.910 à 1.940 Registrados no Cartório do Município de Bofete
Registro Nomes Filiação Data Falecimento
01 José Antonio Pinto José Feliciano Pinto Coelho e Antonia Fioruazia Pinto Coelho 23/12/1911
02 José Manoel dos Santos Não consta no assento 28/08/1914
03 Elvira Maria de Jesus Não consta no assento 22/06/1914
04 Joaquim Alves do Carmo Não consta no assento 12/07/1914
05 Antonio Hygino de Oliveira Não consta no assento 25/08/1914
06 Antonio Pedroso Não consta no assento 23/10/1914
07 Antonio Peres de Moraes Não consta no assento 04/08/1915
08 Fernando Carlos de Oliveira Mello José Carlos de Oliveira Pinto e Joaquina Maria de Jesus 30/10/1916
09 Samuel Antonio Pedroso Maximiano da Silva e Anna Pedroso 15/03/1918
10 Francisco Não consta no assento 14/06/1919
11 Fermino Piedade Não consta no assento 05/09/1920
12 Luiz Viana João Baptista da Silva e Rita Antonia da Conceição 21/04/1922
13 Alvina Maria das Dores João Pinto de Oliveira e Euflasina Maria de Jesus 21/06/1921
14 Antonio Domingues Antonio Domingues da Silva e Maria da Conceição 08/09/1930
15 Belmira Bueno Benedicto Bueno e Antonia Maria Vieira 21/11/1930
16 Anthero João Dias Duarte e Belmira Joanitha de Moraes 24/01/1931
17 Orlando Miranda João Miranda do Espírito Santo e Bertholina Maria da Conceição 22/10/1931
18 Rosana Maria do Rosário José Antonio Pinto e Laura Maria de Oliveira 13/11/1931
19 Joaquim Paes de Camargo Antonio Paes de Camargo e Maria Turdeia de Camargo 28/06/1932
20 João Antonio Pinto Justino Antonio Pinto e Anna Pinto 11/08/1932
21 Rosa da Conceição Olympio Pinto de Mello e Rosa da Conceição 12/04/1935
22 Lazaro Pinto de Oliveira João Pinto de Oliveira e Euflasiana Maria de Jesus 01/06/1935
23 Romana Ermínia de Almeida Osório de Oliveira Pinto e Arminda Brasilina de Almeida 04/04/1936
24 Ângelo Vergílio de Almeida Manoel Vicente e Benedita de Jesus 06/09/1939

Sara disse...

Eu acho que há muitos lugares que ainda mantêm grande parte de nossa história, mas também existem muitas empresas restaurantes em itu também conservar parte de nossas tradições e mantê-los vivos deve