Bem tombado: Igreja de Sant'Ana
Localização: Largo de Sant'Ana
Data da construção: Século XVIII
Ator do projeto: *
Proprietário: Cúria Arquidiocesana de Mariana
Tombamento: Pocesso nº 75-T, Inscrição nº 268, Livro Belas-Artes, fls. 46
Data: 08. IX. 1939
Finalidade atual: Culto religioso
A igreja de Sant'Ana, no antigo Arraial de Cocais, foi construída na segunda metade do século XVIII, no período em que a prosperidade das minas fez que fossem construídas as igrejas não mais em taipa, mas em pedra e cal. Já no século XIX, o edifício tornou-se capela privativa do rico proprietário Feliciano Pinto Coelho, Barão de Cocais, que enriqueceu o monumento com seu poder econômico e prestígio. Destaca-se pela rica talha dourada dos três altares e pela influência oriental de artesãos da Colônia do Século XIX . A imagem de Sant’Anna mede 1 metro e meio e foi trazida de Portugal. Foi capela particular da família Furtado Leite (Fundadores do Distrito de Cocais) e da família Pinto Coelho, da qual descende o Barão de Cocais que se encontra sepultado no interior da igreja.Paralelamente, na mesma localidade, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, administrada pela Ordem de ricos homens de cor, garimpeiros e faiscadores forros, era entretanto construída de taipa e madeira, e possuía altares muito rudimentares, de dourados singelos. A capela de Sant'Ana, em oposição, é notável pela riqueza de suas talhas e pinturas. Durante muitos anos essa igreja foi a matriz do povoado.
A construção em pedra e cal modifica-se na torre única central, edificada em taipa e madeira. Possui uma única nave e como anexo o compartimento da sacristia. Na fachada, a porta principal tem as ombreiras e a verga curva, com cimalha, esculpidas em pedra. A porta é entalhada e almofadada. Duas janelas rasgadas, ao nível do coro com guarda-corpos de madeira torneada. A cimalha é também de pedra, encurvada na parte central contornando um relógio. O frontão é ladeado por coruchéus e a torre é coberta por telhado em quatro águas em forma de pirâmide, sobre o qual ergue-se arremate em pirâmide, com a esfera armiliar e a cruz. O telhado da igreja é em duas águas.
O interior é representativo das capelas ricas construídas através do vale do rio Doce e a talha suntuosa é da melhor qualidade. Como indício da construção mista (taipa e pedra), existe ancoragem das paredes ao nível da cimalha e o arco cruzeiro, revestido de madeira encimado por ornamentação de talha dourada. Os altares e retábulos laterais do cruzeiro são de talha profusamente ornamentada, com figuras de anjos, pelicanos e ornato fitomorfos, além de volutas barrocas. As imagens dos altares indicam as devoções: Santa Efigênia, Santo Antônio. A capela-mor acusa a presença de taipa e madeira, com o forro em tábuas, sem pintura decorativa. No altar-mor e respectivo retábulo, igualmente ricos há belas imagens de São Joaquim e São José, além do crucifixo. O frontal do altar é semelhante aos laterais, mas o destaque da capela-mor deve ser dado á presença de decoração de estilo oriental em pintura á imitação de laca vermelha e ouro, como se encontram na Matriz e na Igreja do Ó em Sabará. Os balaústres grade de comunhão contam entre os mais elaborados e mais ricos da região, e estão em excelente estado de conservação. Os móveis, alfaias e objetos de prata desapareceram.
Bibliografia:
Arquivo Público Mineiro, 272-SG, documento de 9 de março de 1779.Macedo, Epaminondas de. Ficha descritiva nos Arquivos da SPHAN. Data: 25. IV. 1938.SPHAN, Arquivo e documentação geral.
O interior é simples. Os altares são em talhas, sendo a ornamentação, predominante elementos planos. Dois altares em talha, sob a invocação de São José e Nossa Senhora das Dores. O altar-mor é rico e trabalhado, possuindo dois nichos com as imagens de São Bendito Santa Efigênia. Dois púlpitos de madeira branca, com talhas simples. No forro da capela-mor, pintura da coroação de Nossa Senhora do Rosário em vermelhos vivos e azuis. O tapa-vento é bem antigo, contemporâneo da igreja. Localizada no Largo de Santana – distrito de Cocais – a construção da igreja de Santana é da segunda metade do século XVIII, quando começaram a aparecer em Minas Gerais, as igrejas de pedra e cal. Na decoração interna, destaca-se a rica talha dourada dos três altares. O período da madeira tem forte influência oriental de artesãos da colônia do século XX. Em 1921, passou por reformas e pintura.
Everton de Paula